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	<title>Homossexualidades Projetadas</title>
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	<description>Discutindo a representação da homossexualidade no cinema brasileiro</description>
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		<title>Homossexualidades Projetadas</title>
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		<title>SARGENTO GARCIA</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 04:27:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
				<category><![CDATA[curta-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[por Daniel Monteiro 1. Análise Estrutural Título: Sargento Garcia, de Tutti Gregianin, 2000, 15 minutos, cor. Gênero: Drama (Obra baseada em conto homônimo de Caio Fernando Abreu) Elenco e personagens: Marcos Breda (Sargento Garcia), Gedson Castro (Hermes), Antônio Carlos Falcão (Isadora). Sinopse: Hermes é um jovem imaturo e inexperiente, que sonha em fazer faculdade de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=25&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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por Daniel Monteiro</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: Sargento Garcia, de Tutti Gregianin, 2000, 15 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Drama (Obra baseada em conto homônimo de Caio Fernando Abreu)</p>
<p>Elenco e personagens: Marcos Breda (Sargento Garcia), Gedson Castro (Hermes), Antônio Carlos Falcão (Isadora).</p>
<p>Sinopse: Hermes é um jovem imaturo e inexperiente, que sonha em fazer faculdade de filosofia, mas quando ele vai se alistar ao exército ele percebe que a rigidez e autoritarismo do Sargento Garcia esconde uma forte pulsão sexual por jovens “diferentes”.</p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>Inspirado no conto homônimo de Caio Fernando de Abreu, foi identificado no curta, Sargento Garcia, três representação de personagens homossexuais na figura de Hermes, um jovem estudante da classe média, o próprio Sargento Garcia, figura de autoridade e rispidez e Isadora, um travesti que retrata o esteriótipo da bicha velha, extravagante.</p>
<p>No início do filme, Hermes está numa apresentação coletiva ao serviço militar. Todos nus os jovens se mostram bastante desconcertados com a situação. Destraído, Hermes, perdido em pensamentos, que são mostrados ao longo do filme em flashbacks, não percebe que o Sargento Garcia o chama. Quando o Sargento Garcia perde a paciência e grita: “Quem é esse Lorpa?”, Hermes percebe que o grito foi com ele. A partir daí começa um jogo entre opressor e oprimido, que por trás de um aparente tom de humilhação e autoritarismo, o militar esconde uma tensão sexual. Para deixar claro esse jogo, Garcia diz para o garoto a limitar a responder “sim, meu sargento” ou “não, meu sargento” às perguntas propostas.  Assim, todo o diálogo é dominado pela autoridade militar, que começa a sondar o garoto:</p>
<p>SARGENTO GARCIA<br />
Rapazinho delicado é? Educado é?</p>
<p>HERMES<br />
Se eu te pego num cortado bravo, tu vai ver o que é bom prá tosse, ô perobão.</p>
<p>SARGENTO GARCIA<br />
Sentido!<br />
Então, tu que é o tal Hermes?</p>
<p>Sim, meu sargento.</p>
<p>SARGENTO GARCIA<br />
Tem certeza?</p>
<p>HERMES<br />
Sim meu sargento!</p>
<p>SARGENTO GARCIA<br />
De onde é que tu tirou este nome?</p>
<p>HERMES<br />
Não sei meu sargento.</p>
<p>A partir desse ponto, fica claro que há uma tensão sexual entre os dois disfarçada de autoritarismo. Por mais que os personagens não apresentam gestualidade delicada, embora Hermes mostre ser um rapaz tímido, o que fortemente indica essa tensão entre os dois é o fato de que ao mesmo tempo que o sargento marca terreno entre os jovens mostrando agressividade na fala, exigido pela farda, ele se aproxima fisicamente de Hermes e dá uma bafora no rosto no rapaz.</p>
<p>A violência verbal desnorteia Hermes, que já estava certo que iria ser dispensado do serviço militar, por que o pai dele era amigo de um médico militar, que iria vialibizar a dispensa do serviço militar, no mínimo, por motivo de doenças. Durante as perguntas o sargento descobre que Hermes pretende fazer vestibular para filosofia, e é nesse ponto que ele tem certeza que o garoto é diferente dos demais. Nesse ponto, o Sargento Garcia ressalta a importância do estudo para quem não quer ficar “comendo bosta no campo”, assim, a agressividade antes voltada para Hermes é transferida para os demais. </p>
<p>Na saída do quartel o Sargento Garcia oferece uma carona para Hermes, durante a conversa no carro a dureza de antes dá espaço a uma cordialidade, os diálogos surgem mais amenos, os dois se entendem e vão a um conhecido bordel de Garcia. Já no bordel é que nos é apresentado a terceira personagem homossexual do curta: o travesti Isadora. Embora até aqui os personagens tenham sido representados sem a gestualidade delicada, roupas arrojadas ou ações suaves, típicas dos esteriótipos do homem gay efeminado, esse novo personagem mostrado com sendo uma oposição ao que já foi visto. Isadora é uma caricatura da dica gay. Isadora leva os rapazes ao quarto e lá o sargento assume mais uma vez o papel de dominador. A tensão sexual anterior se concretiza entre os dois. A partir desse ponto Hermes é desvirginado e passa a ter coragem para assumir as suas opções de vida.</p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>O filme apresenta para ao público três representações do personagem homossexual: o militar durão, o jovem inexperiente, e o travesti afetado. A preocupação intenção em contribuir para uma reeleitura da obra de Caio Fernando de Abreu vez com que a obra ganhasse uma dimensão ímpar, onde o equilíbrio das atuações, a tensão dos diálogos tratasse o tema de forma natural e sem trazer em si um teor pejorativo.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/homoprojetadas.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/homoprojetadas.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=25&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>BEIJO DE SAL</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 02:37:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Anderson Barretto 1. Análise Estrutural Título: Beijo de Sal, de Fellipe Barbosa, 2006, 18 minutos, cor. Gênero: Drama Elenco: Bruno Mendes, Domingos Alcântara, Eduardo Dargains, Juliana Gonçalves, Mônica Bresser, Pollyanna Simões, Rogério Trindade, Suzana Pires. Sinopse: A história é centrada em Paulo e sua companheira no momento em que o casal faz uma viagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=23&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/011958966-ex00.jpg"><img src="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/011958966-ex00.jpg?w=300&#038;h=187" alt="Rogério, o amigo ciumento." width="300" height="187" class="aligncenter size-medium wp-image-24" /></a><br />
por Anderson Barretto</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: Beijo de Sal, de Fellipe Barbosa, 2006, 18 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Drama</p>
<p>Elenco: Bruno Mendes, Domingos Alcântara, Eduardo Dargains, Juliana Gonçalves, Mônica Bresser, Pollyanna Simões, Rogério Trindade, Suzana Pires.</p>
<p>Sinopse: A história é centrada em Paulo e sua companheira no momento em que o casal faz uma viagem de férias para uma praia, hospedando-se na casa de um velho amigo de Paulo, Rogério. </p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>O recém casado Paulo e sua esposa foram passar as férias na casa de praia de Rogério, amigo de longa data de Paulo. Mas, Rogério se mostra bastante inconveniente e até grosseiro certas vezes, visivelmente despreocupado com convenções, deixa implícita uma não aceitação à mulher de Paulo, criando situações para ficar a sós com o amigo. A casa vive em festas, sempre com muitas bebidas. Após um incidente, onde o amigo inconveniente flagra o casal fazendo sexo na praia, Paulo e sua mulher resolvem ir embora. Entretanto, o dono da casa esconde a chave do quarto, e quando Paulo tenta pegar a chave com o amigo, eles dois acabam caindo num pequeno lago e Paulo acidentalmente se afoga. Sua mulher chega exatamente no momento da respiração boca-a-boca entre os dois homens. O amigo pede que Paulo diga a sua mulher que ela não é bem vinda naquela casa, afinal a casa é deles dois. </p>
<p>A relação entre os amigos é bastante confusa, nada é explícito, não há a menor intimidade entre os dois, apenas comentários que evidenciam que eles já se conhecem há muito tempo. Não há gestualidade, nem afetação, tampouco estereotipação, afinal, tudo é muito implícito, quase inexistente. A relação entre Paulo e sua mulher também não é convincente, nada evidencia que eles se amam. </p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>O filme não sugere muito para o público, tudo é muito aberto, até mesmo vago. O retrato fílmico é então, bastante dúbio, pois apesar de não contribuir para o preconceito, também não há a preocupação em contribuir para uma discussão ou ampliação do espaço social do homossexual.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/homoprojetadas.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/homoprojetadas.wordpress.com/23/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=23&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>VESTIDO DOURADO</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 02:33:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Anderson Barretto 1. Análise Estrutural Título: Vestido Dourado, de Aleques Eiterer, 2000, 19 minutos, cor. Gênero: Comédia Elenco: Erick Marmo, Júlio Siqueira, Luiz Gaya, Rogéria, Sílvia Aderne. Sinopse: José Lúcio é um jovem sonhador, pobre, filho de uma senhora costureira, viúva, que sente falta de uma presença masculina para dar exemplo ao filho. O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=21&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/vestido_dourado-m.jpg"><img src="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/vestido_dourado-m.jpg?w=460" alt="Vestido Dourado, de Aleques Eiterer"   class="aligncenter size-full wp-image-22" /></a><br />
por Anderson Barretto</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: Vestido Dourado, de Aleques Eiterer, 2000, 19 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Comédia</p>
<p>Elenco: Erick Marmo, Júlio Siqueira, Luiz Gaya, Rogéria, Sílvia Aderne.</p>
<p>Sinopse: José Lúcio é um jovem sonhador, pobre, filho de uma senhora costureira, viúva, que sente falta de uma presença masculina para dar exemplo ao filho. O rapaz, por sua vez, sonha em participar de um concurso numa boate freqüentada por gays e, para isso, deseja ter um vestido dourado que estava à venda num brechó. </p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>José Lúcio é o melhor amigo de uma transexual, que apanha do marido e é dona de um salão de beleza, a amizade não é vista com bons olhos pela mãe do rapaz, que se diz cansada e não tem mais idade “pra passar humilhação”. O filho intimamente revela o desejo de ser aceito pela mãe, uma carência de reconhecimento e com isso, acredita que a mãe se orgulhará dele caso ele ganhe o concurso. O rapaz, então, enquanto sua mãe está doente, aproveita para fazer um vestido para usar no concurso. A cena final do filme traz José Lúcio travestido, usando o tal vestido dourado, dublando a música “Chão de Estrelas” na voz de Maria Bethânia: “Minha vida era um palco iluminado, eu vivia vestido de dourado&#8230;”.</p>
<p>O curta traz o personagem homossexual, José Lúcio, como um jovem livre, de classe social baixa, de maneira estereotipada, ou seja, a maneira de falar e a gestualidade evidenciam um exagero na maneira de ser do personagem. O rapaz é muito afetado, contido apenas na presença da mãe. Ele freqüenta lugares onde se sente aceito, igual, e sonha em ser reconhecido pelos outros. O elenco também traz a participação de atores famosos como Eric Marmo e Rogéria, entretanto, os atores principais, sobretudo o protagonista, são atores desconhecidos do público. O vestuário dos personagens é bastante simples, exceto nos momentos em que estão travestidos, onde os trajes são bem produzidos e coloridos. </p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>O enredo do filme, apesar de mostrar claramente uma estereotipação, consegue mostrar a inocência do personagem homossexual, um rapaz sonhador que deseja apenas ser reconhecido.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/homoprojetadas.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/homoprojetadas.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=21&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>AMARELO MANGA</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 02:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
				<category><![CDATA[longa-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[mateus nachtergaele]]></category>

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		<description><![CDATA[por Daniel Monteiro 1. Análise Estrutural Título: Amarelo Manga, de Cláudio Assis, 2003, 100 minutos, cor. Gênero: Drama Elenco e personagens: Matheus Nachtergaele (Dunga), Jonas Bloch (Isaac), Dira Paes (Kika), Chico Diaz (Wellington), Leona Cavalli (Lígia), Magdale Alves (Dayse). Sinopse: No subúrbio da capital pernambucana, Recife, cinco personagens são apresentados: Dunga (Matheus Nachtergaele), o cozinheiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=19&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/amarelo-manga2.jpg"><img src="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/amarelo-manga2.jpg?w=300&#038;h=224" alt="Mateus Nachtergaele vive cozinheiro gay, em Amarelo Manga." width="300" height="224" class="aligncenter size-medium wp-image-20" /></a><br />
por Daniel Monteiro</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: Amarelo Manga, de Cláudio Assis, 2003, 100 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Drama</p>
<p>Elenco e personagens: Matheus Nachtergaele (Dunga), Jonas Bloch (Isaac), Dira Paes (Kika), Chico Diaz (Wellington), Leona Cavalli (Lígia), Magdale Alves (Dayse).</p>
<p>Sinopse: No subúrbio da capital pernambucana, Recife, cinco personagens são apresentados: Dunga (Matheus Nachtergaele), o cozinheiro gay do Texas Hotel apaixonado pelo açougueiro Wellington; Wellington (Chico Diaz), um homem mulherengo, que enaltece o comportamento recatado da mulher, Kika (Dirá Paes), mas mantém uma amante (Magdale Alvez); Lígia (Leona Cavalli), dona de um boteco e Issac (Jonas Bloch) um hóspede do Texas Hotel, que sente prazer em atirar em cadáveres. A partir dessa apresentação acompanhamos um dia na vida desses personagens. Um dia de mudanças e repetições.  </p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>A história do filme se desenvolve a partir de uma narrativa circular que começa e termina com duas idéias: desnudar o cotidiano marginal de uma grande capital (Recife), e um tom documental para reforçar a narrativa ficcional. Na verdade, o filme exercita o uso do chulo, mas na verdade do carnal, do animalesco, como uma luta severa entre o eterno retorno e o desejo sexual. Por isso podemos falar que se trata de um filme realista, mas um realismo sujo, despudorado, amarelado, que não tem vergonha de mostrar as mazelas do homem. </p>
<p>O que movimenta todo o filme são os personagens e o impulso destes guiados pela lascívia patológica. Dentre eles destacamos Dunga o cozinheiro do Texas Hotel interpretado por Matheus Nachtergaele, personagem que não hesita em passar por cima da felicidade dos outros para celebrar a sua que está na carne que o funcionário do matadouro fornece ao hotel.</p>
<p>Como todos os demais personagens o contexto social de Dunga é mais um personagem do longa que tem a marca da marginalidade estampada no comportamento, na vestimenta e nos desejos. Desse modo, Dunga é visto com um alienado guiado por pulsões sexuais e é caracterizado como um homem num misto de ingenuidade lasciva e delicadeza cruel. A utilização de gestos delicados no andar e no falar indica que o personagem é homossexual, embora as roupas curtas, apertadas e tamancos já antecipam visualmente a orientação sexual de Dunga.</p>
<p>A narrativa fragmentada não deixa espaço para um protagonista. Por isso, podemos dizer que há co-protagonistas e Dunga é um deles. O objetivo desse personagem é um só: conquistar Welligton. Sempre é cantado pelo cozinheiro, quando aquele vai entregar a carne no hotel, o açougueiro não demonstra nenhum afeto pelo personagem de Nachtergaele. No decorrer da trama, Dunga, numa tentativa de acabar com o caso e o casamento de Wellington, manda uma carta para Kika dizendo a hora e o local onde o açougueiro marcou um encontro com a amante. O plano dá certo e Welligton, desamparado, vai chorar as mágoas no ombro de Dunga, este tenta se aproveitar da situação, mas apesar de frágil emocionalmente, o açougueiro não cede aos desejos do cozinheiro.</p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>Por fim, Amarelo Manga é uma radical intervenção do cinema na realidade do povo brasileiro, onde o homem preso em uma rotina vivendo “apenas mais um dia” é visto como um animal degenerado. O filme vê que o humano não tem pureza, não tem limpeza, mas é sujo, perverso e guiado por instintos bestiais para saciar o desejo carnal em prol da felicidade individual. Nesse contexto, Dunga, apesar de ser retratado de forma esteriotipada, no vestir e no agir, ele é mais um dos marginalizados presentes no mosaico social da cidade de Recife. </p>
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			<media:title type="html">Mateus Nachtergaele vive cozinheiro gay, em Amarelo Manga.</media:title>
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		<title>A PARTILHA</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 02:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
				<category><![CDATA[longa-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[paloma duarte]]></category>

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		<description><![CDATA[por Anderson Barretto 1. Análise Estrutural Título: A Partilha, de Daniel Filho, 2001, 96 minutos, cor. Gênero: Comédia Elenco e personagens: Selma (Glória Pires), Regina (Andrea Beltrão), Laura (Paloma Duarte), Lúcia (Lilia Cabral), Herson Capri (Luiz Fernando), Dênis Carvalho (Carlos), Marcello Antony (Bruno Diegues), Chica Xavier (Bá Toinha), Fernanda Rodrigues (Simone), Guta Stresser (Célia). Sinopse: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=16&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/partilha1.jpg"><img src="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/partilha1.jpg?w=300&#038;h=208" alt="Selma (Glória Pires), Regina (Andrea Beltrão), Laura (Paloma Duarte), Lúcia (Lilia Cabral), em A Patilha" width="300" height="208" class="aligncenter size-medium wp-image-18" /></a><br />
 por Anderson Barretto</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: A Partilha, de Daniel Filho, 2001, 96 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Comédia</p>
<p>Elenco e personagens: Selma (Glória Pires), Regina (Andrea Beltrão), Laura (Paloma Duarte), Lúcia (Lilia Cabral), Herson Capri (Luiz Fernando), Dênis Carvalho (Carlos), Marcello Antony (Bruno Diegues), Chica Xavier (Bá Toinha), Fernanda Rodrigues (Simone), Guta Stresser (Célia).</p>
<p>Sinopse: O longa é focado na relação entre quatro irmãs – Selma, Regina, Laura e Lúcia – que se reúnem após a morte da mãe para negociar a herança, um apartamento em Copacabana. Baseado na peça homônima de Miguel Falabella, o filme, que traz abertamente a homossexualidade feminina, foi um grande sucesso de público, tornando-se o filme brasileiro mais representativo, a partir da década de 90, a tratar o tema com naturalidade. </p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>Laura, interpretada por Paloma Duarte, é a mais jovem das quatro irmãs e sempre foi considerada por todas, inclusive por ela mesma, como uma pessoa “diferente”. Apesar do fato de as quatro mulheres serem as protagonistas do filme e de a narrativa estar centrada em sua maior parte na personagem Selma (Glória Pires), a personagem homossexual Laura tem um grande destaque no enredo. Lésbica, jornalista, de classe média, Laura é apresentada de maneira não-estereotipada, tem um gestual natural, contido, personalidade reclusa, intelectual, séria e firme. A interpretação de Paloma Duarte é bastante precisa, sem exageros, trazendo uma representação de uma lésbica, que antes de ser homossexual, é acima de tudo, uma mulher. Laura leva uma vida ocupada com o trabalho e seu relacionamento com sua namorada, interpretada por Guta Stresser. O dilema de Laura é justamente a oportunidade de estudar na Alemanha, o que a faria terminar o relacionamento, uma vez que a sua namorada não deseja sair do Brasil. O dinheiro da venda do apartamento da mãe falecida permitiria a sua ida para a Europa, porém a faria abandonar a sua companheira.</p>
<p>Por outro lado, a caracterização e o figurino, isto é, a subgestualidade na representação das duas homossexuais no filme, em comparação com as outras mulheres da narrativa, é um pouco estereotipada. Ou seja, apesar de não haver exageros, há uma diferenciação evidente entre as lésbicas e as irmãs mais velhas de Laura. Assim, Selma, Regina e Lúcia usam sempre vestidos, muitos adereços e acessórios, compondo um visual bastante colorido, com cores quentes na maioria das suas roupas, mulheres visivelmente preocupadas com a aparência física, com a beleza pessoal. Já Laura e sua namorada têm um figurino bastante sóbrio e discreto, o que a produção do filme pode ter considerado coerente, pelo fato de o casal não querer chamar a atenção das outras. Porém, há uma brusca diferença entre o figurino das lésbicas e das heterossexuais. O vestuário das personagens homossexuais é, em sua maioria, preto (especialmente em Guta Stresser, que ainda por cima tem os cabelos pintados em vermelho vivo, numa clara tentativa de mostrar a personagem como uma metáfora da busca por uma identidade). O figurino das duas lésbicas não considera a preocupação feminina com a beleza, esse fato tem um certo tom generalizante ao indiretamente sugerir que as lésbicas são, muitas vezes, vistas como “machonas” e portanto, pouco se importam com a aparência física, numa palpável ausência de vaidade – o que também pode induzir, implicitamente, a uma não-aceitação de si mesmas.</p>
<p>Os movimentos corporais de Paloma Duarte são firmes, rígidos, algumas vezes bruscos, enfatizados pela força interpretativa da atriz, porém, não chegam a colocar a personagem Laura como uma lésbica “durona”, “quadrada”, e sim como uma mulher que está certa em suas convicções e, assim não tem a intenção nem a necessidade de provar ou mostrar nada a ninguém.</p>
<p>Quanto à homossexualidade, nem a falecida mãe nem as irmãs sabiam da “opção” sexual de Laura. Como acontece em muitas famílias, não é diferente no filme, as pessoas desconfiam, porém, muitas vezes, não chegam a perguntar. Assim, preferem não se envolver para não “confirmar” a desconfiança – aquilo que de fato já sabem, mas preferem não ver. Esse caso é mostrado claramente numa das primeiras cenas em que as quatro irmãs estão sozinhas no apartamento da mãe, discutindo a partilha dos móveis e objetos, bem como a venda do imóvel. É importante perceber que a narrativa do filme acontece linearmente, sem o recurso do flashback, entretanto, os acontecimentos são trazidos ao enredo através das falas e lembranças das próprias personagens, que muitas vezes reconhecem suas “falhas” e fraquezas, e então recorrem ao passado – uma maneira encontrada por elas para assim “legitimarem” suas irrealizações.</p>
<p>A principal cena do filme que retrata com maior destaque a homossexualidade é uma cena longa e o tema surge a partir de uma discussão entre as irmãs mais velhas. Selma, ao contar que a sua filha adolescente está grávida de um líder de uma seita religiosa, começa a culpar a irmã Regina, por esta ter levado a menina ao determinado culto. Lúcia e Laura tentam separar a briga entre as duas, até que um comentário sobre aborto, funciona como estopim para Laura, que “explode” em cima das irmãs, afirmando estar desapontada com o comportamento delas. Selma cita uma pergunta feita por sua filha a respeito da tia: “Mamãe, a tia Laura é sapatão?”. Laura, ofendida, questiona a intenção de Selma em fazer tal comentário. Com isso, Selma, Regina e Lúcia, com medo de ferir a irmã, acabam se esquivando como podem e, literalmente fogem, dando as costas à irmã. O silêncio é cortado pelo desabafo de Laura: “Eu gosto de mulheres. Sou sapatão, eu sou sargento, fanchona, lésbica, eu colo velcro, eu gosto de colocar aranha pra brigar”.</p>
<p>O filme como um todo apresenta uma linguagem repleta de termos exageradamente coloquiais, muitas vezes vulgar. Laura, utiliza essa linguagem quando revela a sua homossexualidade, suas palavras dizem muito sobre a personagem, e com isso, ela se apropria de termos e gírias de conhecimento geral, comumente usados para retratar (e estereotipar) as homossexuais. As expressões “colar velcro” e “colocar aranha pra brigar”, numa vulgar referência ao sexo entre lésbicas, já são de grande conhecimento popular – no entanto, utilizadas em tom degradante.</p>
<p>Certamente, esta é a cena de maior carga interpretativa, sobretudo para Paloma Duarte, que não economiza forças para mostrar muito bem a indignação de sua personagem. E continua: “Vocês não me entendem mesmo&#8230;” – uma frase que de tão usual em casos de crise identitária, acaba tornando-se clichê. As irmãs ficam comovidas, afetadas pelas palavras de Laura. A personagem então desabafa: “Pra vocês eu sempre fui aquela coisa esquisita! Incômoda! Como eu quis ser igual a vocês! Cresci brincando sozinha nesse apartamento&#8230; E vocês se arrumando pra sair! E vocês fofocando! E vocês discutindo sobre festas, homens, vestidos! E eu&#8230; Com quem que eu ia conversar?”. A personagem lésbica continua decepcionada com as irmãs e, além de criticá-las, intimamente revela a culpa que põe sobre elas, pela solidão em que viveu boa parte de sua vida. Laura conclui sua fala: “A minha família, as minhas amigas&#8230; As minhas mulheres, eu tive na rua! Não foi aqui não! Aqui eu sempre estive muito sozinha!”. As irmãs ficam em silêncio e, sem ter o que falar, acabam mudando de assunto, visivelmente sensibilizadas.</p>
<p>A significação da exploração do tema do homossexualismo no filme, é baseada numa tentativa de mostrar que os homossexuais são, antes de qualquer coisa, seres humanos, têm suas fraquezas e suas qualidades, como qualquer pessoa. Uma tentativa de mostrar um outro lado da realidade, um casal homossexual que vive com naturalidade, longe de promiscuidade e estereotipação – conforme a mídia geralmente evidencia. Os gays são muitas vezes vitimados por uma sociedade hipócrita que acredita estar longe de tal realidade. Assim, casos que “incomodam” e vão de encontro ao ‘status quo’, são geralmente ignorados e banidos. A Partilha, apesar de não ter a pretensão de levantar bandeiras, uma vez que o tema do homossexualismo não é o que move a narrativa, acaba funcionando como uma abertura para uma maior compreensão e familiarização do público com relação ao assunto.</p>
<p>Laura, após revelar-se lésbica, não é em momento algum hostilizada pelas irmãs, que, cientes de suas próprias fraquezas, não estão em condições de julgar ninguém. Cada uma delas tem o seu conflito individual, cada uma tem sua “falha” de personalidade, entretanto, o filme mostra a personagem homossexual como uma pessoa íntegra, cujo “problema” é a sua sexualidade. Assim, o público precisa ter cuidado para não achar que o “defeito” de Laura é ser lésbica. Essa pode ser considerada a “falha” do filme, que, apesar de tentar mostrar o homossexualismo como algo comum, coloca-o como um “defeito” de personalidade da personagem.</p>
<p>Outra cena que aborda o homossexualismo abertamente, traz o casal de lésbicas conversando, fazendo a sua própria “partilha”: Laura tenta convencer a sua namorada a ir com ela para a Alemanha, enquanto esta tenta convencer Laura a ficar no Brasil. Elas dividem os CDs, já cientes da separação. As personagens se aproximam, tristes, mas fogem uma da outra, numa tentativa de amenizar a dor que sentem. Essa cena sugere para o público um relacionamento como qualquer outro, um amor entre duas pessoas que, pelas circunstâncias externas, se vêem “obrigadas” a se separar.</p>
<p>A narrativa avança: as irmãs novamente estão no apartamento, desta vez à espera do corretor de imóveis e do cliente interessado na compra. Porém, Selma, muito apegada às lembranças, recusa-se a fechar o negócio, trancando-se no quarto com a chave da porta principal, na intenção de não permitir a entrada das pessoas que esperavam do lado de fora. Laura, muito irritada, resolve sair pela janela e andar pela sacada do edifício para assim entrar no quarto onde Selma escondia a chave. Transeuntes observam a cena, acreditando tratar-se de uma tentativa de suicídio. Entre as pessoas na rua, estava a namorada de Laura, que no mesmo instante corre em direção ao apartamento. Quando finalmente a chave é recuperada, a porta é aberta e ao se reencontrarem, as duas lésbicas se beijam e se abraçam na frente de todos: Selma, Regina, Lúcia, o marido de Selma, o filho de Lúcia, o corretor, o comprador e seu empresário, que também esperavam entrar no apartamento. O casal decide ir junto para a Europa.</p>
<p>A Partilha termina com as quatro irmãs reunidas na praia de Ipanema, dançando na areia ao som de “Dancing Days”: “Abra as suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa&#8230;”. O filme convida o público a conhecer aquelas mulheres e assim, reconhecer a diversidade dos tipos humanos, sobretudo dentro do universo feminino, mulheres simples, alegres, tristes, loucas, com seus desejos e fantasias, independentemente de idade, classe social, profissão, sexualidade – independentemente de qualquer coisa. Conforme fica explícito numa das falas da personagem Regina: “Nós somos farinha do mesmo saco!”. </p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>O filme, apesar dos pequenos deslizes, é bastante feliz ao tratar com naturalidade o tema do amor entre lésbicas, e assim, deixa claro que o amor entre iguais, pode parecer diferente, mas é um amor como qualquer outro. </p>
<p>Bibliografia:<br />
Revista Educação, Especial Grandes Temas – Gênero e Sexualidade, Nº 2. Segmento: São Paulo, Março de 2008.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/homoprojetadas.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/homoprojetadas.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=homoprojetadas.wordpress.com&amp;blog=3757100&amp;post=16&amp;subd=homoprojetadas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>CARANDIRU</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 01:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>homoprojetadas</dc:creator>
				<category><![CDATA[longa-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[gero camilo]]></category>
		<category><![CDATA[rodrigo santoro]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/slideshow_anavansteen_carandiru04.jpg"><img src="http://homoprojetadas.files.wordpress.com/2008/06/slideshow_anavansteen_carandiru04.jpg?w=300&#038;h=224" alt="Rodrigo Santoro (à esq.), no filme Carandiru." width="300" height="224" class="aligncenter size-medium wp-image-15" /></a></p>
<p>                  por Mariane Bigio</p>
<p>1.	Análise Estrutural</p>
<p>Título: Carandiru, de Hector Babenco, 2003, 148 minutos, cor.</p>
<p>Gênero: Drama (baseado no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella).</p>
<p>Elenco: Rodrigo Santoro (Lady Di), Gero Camilo (Sem Chance), Milton Gonçalves (Chico), Luiz Carlos Vasconcelos (Médico), Maria Luisa Mendonça (Dalva), Caio Blat (Deusdete), Lázaro Ramos (Ezequiel), Wagner Moura (Zico).</p>
<p>Sinopse: Numa cela da Casa de Detenção de São Paulo, o popular Carandiru, dois detentos (Lula e Peixeira) se enfrentam num acerto de contas. O clima é tenso. Outro detento, Nego Preto, espécie de &#8220;juiz&#8221; para desavenças internas, soluciona o caso em tempo de dar &#8220;boas vindas&#8221; ao Médico, recém-chegado e disposto a realizar trabalho de prevenção à AIDS na penitenciária. O Médico depara-se, no maior presídio da América Latina, com problemas gravíssimos: superlotação, instalações precárias, doenças como tuberculose, leptospirose, caquexia, além de pré-epidemia de Aids. Os encarcerados lamentam, além da falta de assistência médica, de assistência jurídica. O Carandiru, com seus mais de sete mil detentos, constitui-se em grande desafio para o Doutor recém-chegado. Mas bastam alguns meses de convivência para que ele perceba algo que o transformará: mesmo vivendo situação-limite, os internos não são figuras demoníacas. No convívio com os presos que visitam seu improvisado consultório, o Médico testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, grande disposição de viver.</p>
<p>2.	Análise Significativa</p>
<p>Em foco: personagem Lady Di, interpretada por Rodrigo Santoro.</p>
<p>Lady Di, é um detento do Carandiru, transexual, de silicone nos seios, roupas e trejeitos femininos – a personagem refere-se a si mesma sempre no gênero feminino -, além de uma cela decorada com apetrechos também femininos. A sua gestualidade pode ser considerada estereotipada &#8211; como a classificaria Antônio Moreno, autor no qual nos baseamos para realizar as análises fílmicas – embora não se torne irreal em função desse exagero. </p>
<p>Lady Di, nasceu Dirceu, classe média baixa – contexto social constatado quando da visita de seus pais ao presídio – família tradicional, pai que não aceita sua orientação, e mãe mais condescendente e que busca apaziguar o relacionamento pai-filho.<br />
Conhecemos essa personagem coadjuvante, quando Lady Di dispõe-se a fazer o teste do HIV, que vem sendo realizado pelo protagonista da trama, o médico recém-chegado, disposto a ajudar a melhorar a situação higiênica e da saúde dos detentos. Nesse momento, Lady Di expõe seu histórico sexual: uma vida de prostituição e mais de dois mil parceiros dentro do presídio. </p>
<p>Por ser a trama baseada em fatos reais, talvez não seja pertinente criticar a visão a que o leitor é levado a ter – ao que parece, a personagem contribui a uma concepção pejorativa na qual se associa a transsexualidade, e mesmo a homossexualidade, à prostituição.</p>
<p>No entanto, em nenhum momento sabemos o pôrque de ser Lady Di um dos detentos do Carandiru. O crime cometido por ele é subjugado pelo seu aparente bom caráter, delicadeza, e esclarecimento ao querer fazer o teste do HIV. </p>
<p>O casamento parece ser, também, mais uma via de redenção da personagem. Lady Di, conhece Matias, apelidado de “Sem Chance”, detento auxiliar do médico, por quem se apaixona. Matias, vivido pelo ator Gero Camilo, corresponde a essa paixão, e junto a Lady Di, faz o teste de HIV, na intenção de casar-se, formalmente, com ele. </p>
<p>O casamento se concretiza, tradicionalmente – com direito a vestido de noiva, terno de noivo, buquê, música e alianças, além de um pedido formal feito por Matias à família de Lady Di. A cerimônia ocorre dentro do próprio presídio, e é aí que acontece o único beijo, em todo o filme, entre as personagens – espera-se que a inexistência de maiores contatos físicos entre o casal, durante o enredo, seja devido à “coadjuvância” de sua história, e não a um tabu envergonhado.  </p>
<p>O Amor é algo que vale salientar: as personagens estão envolvidas afetivamente com grande intensidade, e se amam, acima de qualquer desejo sexual. Uma das últimas cenas do filme, é justamente um depoimento, feito por esses detentos, que sobreviveram à invasão da tropa de choque ao presídio. Nele, Matias alega que ambos só não foram mortos por que a polícia “não teve coragem de matar uma mulher” – ele não fala que a polícia “pensou ser Lady Di uma mulher”, ele, portanto, afirma ser seu companheiro uma mulher, o que obscurece a diferença entre o transexual e a mulher &#8211;  enquanto Lady Di afirma que foi “o nosso Amor que nos salvou”, demonstrando o laço sentimental existente entre o casal.</p>
<p>3.	Considerações Finais</p>
<p>O filme traz uma visão não pejorativa da homossexualidade se considerarmos o seu todo. O mais interessante é a conexão feita entre a trama do casal gay e a AIDS: ambos, esclarecidos, fizeram o teste antes de formalizarem o relacionamento, mesmo tendo Lady Di um histórico propício ao contágio da doença, ele não é portador do vírus. </p>
<p>Carandiru traz à tona a “realidade sexual” de um presídio com mais de 7.000 detentos do sexo masculino. Muitos deles buscam em outros homens a satisfação sexual, embora não sejam gays. Outros, como Matias, acabam descobrindo algo mais além do desejo sexual por alguém do mesmo sexo: O Amor. </p>
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